Histórico e qualidade da BP3: pesquisadores apresentam importantes resultados   Estudos e pesquisas sobre o histórico e a qualidade da água da Bacia do Paraná 3 (BP3), que abastece o Reservatório da Itaipu, deram o tom do primeiro dia da terceira edição do Workshop do Núcleo de Inteligência Territorial (NIT): Dados, Informações e Conhecimento a Serviço da Gestão Territorial e Segurança Hídrica. No âmbito das águas superficiais, a Dr. Adriane Calboni, da Universidade Federal do ABC (UFABC) e bolsista do NIT, apresentou os efeitos da cobertura do solo sobre a provisão de serviços ecossistêmicos associados aos recursos hídricos do reservatório. As mudanças dos usos da terra afetam os ecossistemas naturais e, consequentemente, impactam diretamente nos recursos hídricos, com a BP3 não seria diferente. Com economia baseada no setor agroindustrial, a região concentra boa parte do uso do solo em cultivos anuais (57,5%); seguidos de floresta nativa (17%), pastagem (6,5%) - em declínio, e área urbana – em expansão (1,8%). As ações de conservação do solo promovidas por Itaipu como terraceamento, técnicas conservacionistas de cultivo, restauração de matas ciliares e recuperação de nascentes, serviram como base para o estudo de caracterização do histórico de qualidade da água, a partir de dados coletados por 17 estações de monitoramento ativas em afluentes da BP3, entre os anos de 1989 e 2019, além de projetar as tendências para 2034. Foram analisadas as 7 sub-bacias: Arroio Iguaçu, São Francisco Verdadeiro, São Francisco Falso, São Vicente, São João, Ocoí e Passo Cuê. Para e stimar os índices relacionados aos serviços ecossistêmicos, foram analisados parâmetros da base de dados da Itaipu como Sólidos totais, Sólidos em suspensão, Turbidez, Condutividade elétrica, Demanda bioquímica de oxigênio (DBO 5 dias), Oxigênio dissolvido Saturação de oxigênio, pH, Fósforo total, Nitrato, Nitrito, Nitrogênio amoniacal, Nitrogênio Kjeldahl, Coliformes totais e Coliformes fecais. Segundo Adriane, “p ara a maioria dos casos (68,5%), não houve tendências nem de melhora nem piora”. A pesquisa detectou ainda que, e m 71 casos (27,8%), houve piora. Em destaque, a condutividade elétrica (CE) e Nitrato ( NO3- ) que na maioria dos recursos d´água apresentaram tendências de piora. Enquanto 6 c ursos d´água ( localizados nas sub-bacias Ocoí, Passo Cuê, Arroio Iguaçu e São Francisco Verdadeiro, ) apresentaram piora para todos os parâmetros. Uma nova maneira de monitorar sistemas aquáticos “ Um livro que conta o histórico das transformações ambientais do reservatório em marcadores físicos e biológicos”, foi assim que definiu a Drª Luciane Fontane, da UFABC, que, ainda no contexto histórico do reservatório, a presentou a paleolimnologia: ciência multidisciplinar que usa as informações b iogeoquímicas preservadas nos sedimentos para reconstruir as condições ambientais passadas, ou seja, trata-se da “memória do ecossistema aquático”. Neste cenário, a paleolimnologia vem como uma importante ferramenta de contribuição para o monitoramento d a qualidade da água e, ainda, a partir da análise de sedimentos, verificar a eficácia da implementação das práticas conservacionistas n o território. "Para isso, são recuperados perfis sedimentares e datá-los através de perfis radioisótopos - no caso de reservatórios que são ecossistemas "jovens" na paisagem, o que se usa é o Chumbo (210 Pb) e Césio (137Cs)", explicou a especialista. A pesquisa liderada pela Drª Luciane, tem como objetivo reconstituir as mudanças limnológicas em 2 sub-bacias e 1 microbacia (Ocoí, São Francisco Verdadeiro e Arroio Fundo) em longa escala temporal (ca. De 80-100 anos) - que abrange desde a fase rio, passando pela barragem, até a fase atual. Os estudos estão avaliaram   questões como: mudança s na velocidade de sedimentação ao longo do tempo; a lterações nas fontes de matéria orgânica e identificação de sinais de eutrofização no registro. "São Francisco Verdadeiro apresentou maior velocidade de sedimentação, enquanto Arroio Fundo apresentou decréscimo de velocidade", concluiu a palestrante. Segundo a pesquisa, é possível concluir, de forma preliminar, que a matéria orgânica depositada apresenta uma clara evidência de aumento na contribuição de soja no carbono orgânico depositado, especialmente a partir do ano 2000 – mesmo ano que houve aumento na taxa de sedimentação. Atualmente, há sinais claros de eutrofização na sub-bacia de São Francisco Verdadeiro. Ainda sobre qualidade da água  Os impactos das atividades produtivas, especialmente as agrícolas, também foram pautadas pela Drª Bianca Amaral , pesquisadora do NIT, no painel sobre “Micropoluentes em águas superficiais e subterrâneas: a importância do monitoramento para segurança hídrica” . Segundo Bianca, o modelo de teste Screening (rastreio) utilizado nas últimas análises do Eixo Água NIT, demonstrou ser uma excelente ferramenta para nortear quais os prováveis poluentes presentes nos recursos hídricos​. Além disso, o m onitoramento de diversos agrotóxicos pode auxiliar na mudança de parâmetros reguladores e nortear estudos sobre possíveis efeitos tóxicos na biodiversidade​. Aprofundando, literalmente, as questões que envolvem a qualidade da água na BP3, o Drº Gustavo Athayde , da UFABC, trouxe o panorama das “águas invisíveis” ou águas subterrâneas. De acordo com Gustavo, as pesquisas apontam que a BP3 depende das águas subterrâneas para seu desenvolvimento social e econômico. Sobre os efeitos negativos da superexploração e/ou  contaminação dos aquíferos por fluidos superficiais , o pesquisador detalhou que "necessitamos complementar o monitoramento com ferramentas complementares para compreender onde estão as zonas mais produtoras, qual profundidade e a idade das águas subterrâneas".